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ARTIGO: A celebração da “Perfeição” da incompetência do grupo do Governo do AM que lança Roberto Cidade e Wilson Lima

  • Foto do escritor: Por Anderson S. Silva
    Por Anderson S. Silva
  • 9 de ago.
  • 2 min de leitura

Wilson Lima, Roberto Cidade e Serafim Correa com a bandeira do Amazonas

Na convenção do União Brasil (UB), na última segunda-feira (4/8), que oficializou o nome de Roberto Cidade à reeleição ao governo do Amazonas, com o padrinho Wilson Lima selando sua pré-candidatura ao Senado após renunciar ao cargo, a trilha sonora para este momento não poderia ser mais desconexa da realidade. A música escolhida para tentar embalar a festa da manutenção do poder foi Perfeição, clássico da Legião Urbana lançado em 1996, de autoria do lendário Renato Russo.

 

Para quem conhece os versos de Renato Russo, essa escolha pessoal deste que vos escreve soa como uma autocrítica ou um deboche desavergonhado. A canção que completa três décadas em 2026, é uma ode indignada ao colapso das instituições brasileiras, celebrando com sarcasmo a “estupidez”, a “miséria”, a “corrupção” e o “nosso passado de absurdos gloriosos”. Tudo a ver com o nosso caudaloso e rico Amazonas, mas sofredor nas mãos dos gestores que aí o governam!

 

A cúpula do governo e apoiadores, que lotaram a Arena Amadeu Teixeira, deveriam entoar esse cântico e balançar suas cabeças enquanto projetam a continuidade do seu grupo político por mais quatro anos. Perfeição é a definição perfeita da falta de autocrítica daqueles que vão sair de casa para votar no grupo que deixou o Amazonas ruir. Explico logo abaixo.


 

Viva os nossos “absurdos gloriosos”

 

A população amazonense conhece bem o catálogo desses “absurdos gloriosos”. Não faz tanto tempo assim que o estado virou manchete internacional pelo pesadelo sufocante das mortes por falta de oxigênio durante a pandemia - uma tragédia que marcou para sempre a gestão da saúde pública local e as nossas mentes.

 

O mesmo setor que, até hoje, patina em meio ao caos de hospitais superlotados, relatos estarrecedores de crianças perdendo a vida, falta de leitos adequados e denúncias recorrentes de salários atrasados de médicos e profissionais terceirizados.

 

Enquanto o palanque montado na convenção reluzia sob as luzes dos refletores, no interior do estado a rotina continua a mesma: populações inteiras sem acesso à água tratada e escolas públicas com relatos de merenda escassa ou inexistente. Soma-se a isso o rastro de contratos sob investigação e indícios de irregularidades apontados pelo próprio Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM).

 

A engenharia política que trocou as cadeiras do Palácio da Compensa para tentar viabilizar tanto a permanência de Roberto Cidade quanto os planos senatoriais de Wilson Lima tenta vender a ideia de continuidade como sinônimo de estabilidade e qualidade. Mas a pergunta que fica para quem assiste ao espetáculo do lado de fora é: estabilidade e qualidade para quem?

 

Renato Russo cantava “Vamos celebrar a aberração de toda a nossa falta de bom senso”.

 

No circo da política amazonense, o hino da Legião Urbana virou “trilha sonora” da aberração que foi a convenção e dessas candidaturas que nem deveriam existir: candidato ao senado (Wilson Lima) réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por peculato (corrupção) na compra dos respiradores na loja de vinho; Roberto Cidade governador buscando a reeleição de um governo em que as empresas da família já ganharam mais de R$ 600 milhões.

 

Resta ao leitor e ao eleitor decidir se continuará batendo palma para a celebração da própria tragédia... a do passado e a do presente. Até aqui, viva ao nosso Passado de Absurdos Gloriosos.

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